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28 octobre

medo

 
"Diálogo

— E você, por que desvia o olhar?

(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarra-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)

— Ah. Porque eu sou tímida."
 
Autor desconhecido
 

 

-Tenho medo do chão.
- Queres dizer alturas.
(...)
- Eu sei o que quero dizer! O que nos mata é o chão!

 
 
 
O medo de te ter
E o medo de te perder
Confundem-se
E confundem-me
 
Quem me dera saber o que dizer...
Quem me dera saber o que fazer,
sempre que o silêncio impera...
Mas parece que,
quanto mais o tempo passa,
mais esse silêncio cresce
persegue
e, por pouco,
não nos engole...
 

a um ausente

A UM AUSENTE

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste

 Carlos Drummond de Andrade

24 octobre

como?...

 
Como explicar-te que já não és responsável por algo que há tanto tempo julgas um dado adquirido?
 
Como explicar-te que a tua dor já não me dói, como se de minha se tratasse?
 
Como dizer-te que podes dormir mais tranquilo, pois as minhas dores já nada têm haver com os teus actos ou sentimentos?
 
Como dizer-te que o que sinto por ti é cancro em fase terminal?
 
Como fazê-lo, sem que tentes te culpar (fazendo me sentir a mim culpada), por algo que já não importa de quem é a culpa?
23 octobre

Dói

Dói...
demais...
por dentro...
onde não é possível pôr um penso rápido para que a ferida sare...
Quantas vezes morremos nesta vida?
Quantas vezes terás tu morrido?
Ou terá sido só desta vez? duvido, mas quero acreditar que sim, afinal tinhas tanta vida...
Porque foste embora? espera, pensando bem prefiro não saber... prefiro acreditar que apenas tinha que ser assim, talvez me ajude a aceitar...
Será que ainda existes de alguma outra forma? ou será que deixaste simplesmente de existir?...
Será que te encontras bem, nessa nova forma de seres? espero que sim...
Será que já sabes as respostas a todas as perguntas da humanidade?
Será que nos consegues ver?
Será que continuas connosco? tento acreditar que sim, preciso...
Tenho falado contigo, conseguiste ouvir? ou será que são demasiadas as vozes que te falam, todas ao mesmo tempo?
Queria pedir-te... cuida dos teus... eles fazem-se de fortes, mas a tua ausência pesa-lhes demais... precisam de ti a dizer-lhes para deixarem de ser parvos, que não vale de nada estarem tristes... (disseste-me isso algumas vezes... deve ser teimosia minha, já não sei ser de outra maneira...)
Será que sabias mesmo que já não havia nada a fazer? não sentiste medo? como conseguiste? como conseguiste ir embora com esse teu sorriso lindo?... o ultimo sorriso que te vimos...
...
 
22 octobre

Desilusões...

 

"... Todos desapareceram e não deixaram nada, e não deixaram sequer o pequeno nada que existe dentro do nada. Não deixaram sequer os cemitérios inteiros de mortos, pois todos eles desapareceram ainda mais de tudo, todos eles morreram a sua segunda morte, ainda mais definitiva. A voz que está fechada dentro de uma arca calou-se para sempre e, das suas palavras, nem o sentido, nem o silêncio subsistiu. O homem que está fechado dentro de um quarto sem janelas a escrever parou de repente a meio de uma frase e o fim, para ele, foi a tinta que desapareceu das páginas que tinha vivido, foram as folhas de papel que fugiram de si próprias e se tornaram o mais absoluto vazio de tudo, foi a memória que se transformou nem sequer em ar, nem sequer em vento..."


"É a desilusão cada vez mais um sentimento nobre?

Destinada apenas aos que confiam,acreditam,persistem,lutam,amam e se expressam nas milhentas formas de solidariedade social para com o próximo?

Amizade ou Amor……que traições,trapaças,mentiras…sentimos como mais fortes?

Desilude-me sentir que nem sempre procuramos o melhor dentro de nós, a melhor forma de ser, de sentir, de agir, de reagir, de viver….e já nem falo da “justa forma”,mas da melhor….mesmo que seja melhor só para nós….
Desilude-me vivenciar o não ser….o não estar….quando….se devia ser….se devia estar…..

Desilude-me acreditar que o amanhã vai ser diferente….quando o hoje já é o amanhã e nada mudou….
Desiludes-me…e eu desiludo-me por me iludir contigo…."

 
 
Cristina Fonseca in Elogio do Silêncio
 
 
19 octobre

umas mãos d criança, num rosto de velho...

 
 
É difícil - Pedro Abrunhosa
 
 
Hoje acordei e senti-me sozinho
Um barco sem vela
Um corpo sem linho.
Amanheci e vesti-me de preto,
Um gesto cansado
E olhar no deserto.

Quando todos vão dormir
é mais fácil desistir.
Quando a noite está a chegar
É difícil não chorar.

Refrão:

Eu não quero ser
a luz que já não sou,
Não quero ser primeiro
Sou o tempo que acabou.
Eu não quero ser
As lágrimas que vês,
Não quero ser primeiro
Sou um barco nas marés.

Adormeci
Sem te ter a meu lado,
Um corpo sem alma
Guitarra sem fado.
Um sonho na noite
E olhei-me ao espelho,
Umas mãos de criança
Num rosto de velho.

Quando todos vão dormir
é mais fácil desistir,
Quando a noite está a chegar
É difícil não chorar.

Refrão

Quando todos vão dormir
É mais fácil desistir
Quando a noite está a chegar
É difícil não chorar
 

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17 octobre

...

 
 
Espero que me tenhas perdoado... eu tento perdoar-me...
 
Nunca te vou esquecer, esta promessa juro que cumprirei.. desculpa não ter cumprido a promessa que te tinha feito...
 
Achamos sempre que temos tempo, deixamos para depois coisas demasiado importantes... e nem sempre há amanhã...
 
Pena percebermos sempre isso tarde demais, quando já não nos é possível mudar nada...
 
 
 
16 octobre

Pudesse eu - Sophia de Mello Breyner Andresen

 
 
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Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Para poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes!

 

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11 octobre

Desculpa

 
"(...) Alguma vez te abracei como merecias?
Quando tu vivias, eu podia acreditar na alma, lama, mala interestelar, o caraças que tu quisesses. Porque a gente olhava para ti e via essa coisa transparente e firme, esse nó de sangue, secreções e luz a pulsar como um farol. Agora, tudo e todos me falam do «espírito que permanece», os teus padres invocam-te, a ti e a dezenas de outros passeantes do Paraíso, a despachar, que as missas querem-se também rápidas, eficientes, by the book. E eu não consigo acreditar nas almas abstractas, bolhas de ar discretas arrotadas entre um chá e dois suspiros.
Fazes-me falta, merda - já te disse? (...) Porque é que não te ressuscita - por umas horas, Senhor, o que são umas mariquíssimas horas para um gajo repimpado na eternidade?
(...) por que vivemos como se o tempo nos pertencesse infinitamente, como se pudéssemos repetir tudo de novo, como se pudéssemos alguma coisa?(...)
Deus omnipotente em que não creio, acorda do Teu sono eterno e vai dizer à minha amiga o obrigada que eu não soube sussurrar-lhe ao ouvido. (...)"
 
Fazes-me Falta - Inês Pedrosa
 
 

 
Como apagar a culpa da minha ausência em tantos momentos?... Como eu queria poder voltar atrás, e dar-te a atenção que merecias, estar contigo mais vezes... Como eu queria poder pedir-te desculpas, e que tu voltásses e agora eu pudésse mudar tudo... A dor de não poder agir, a culpa da continua ausência e falta de atenção... tudo isto me corrói por dentro...
Se aqui estivesses talvez dissesses para parar de ser parva, que as coisas seriam diferentes daqui para a frente, que estava a levar tudo demasiado a sério... Mas não estás...
 
9 octobre

Fazes-me Falta

"Estou sozinho. Sozinho com o coração em bocados espalhados pelas tuas imagens. (...) Dava-me jeito um deus qualquer (...). Um deus que me libertasse desta imagem fixa do teu corpo encaixotado. (...) Não podias aguardar a dignidade das primeiras rugas? (...)
Descansa em paz. Fizeste uma morta bonita - mais bonita e serena do que alguma vez foste, cachopa. (...) Talvez fosse melhor não te ter visto, (...).
(...) Há palavras assim, que se dizem como calmantes. Palavras usadas em série para nos impedir de pensar. (...)
Tinhas deixado de fumar para não morreres de cancro. (...) De qualquer modo, a morte espreita sobre todos os prazeres dessa cronologia a que nos agarramos para escapar ao tempo. O que somos para além do que vamos sendo? (...) Tu. Agora puro vapor do universo. Serves-me de Deus - quem diria? (...) e sinto-me também eu meio morto, meio frio. (...) Fazes-me falta. Mas a vida não é mais do que essa sucessão de faltas que nos animam. A tua morte alivia-me do medo de morrer. (...) E se tu morreste, também eu serei capaz de morrer, sem que as ondas nem o céu nem o silêncio se transtornem. (...) Vive-se melhor a inventar a verdade todos os dias, dizem-me. Faz de conta que não morres. Faz lá. (...) Como é que eu mato a tua morte?(...)"
 
Fazes-me Falta - Inês Pedrosa
6 octobre

Para onde foste?...

Pra Onde Vai? - Gabriel O Pensador/Memê/Alexandre Lucas/Alexandre Dantas

Mais uma vida jogada fora
Um coração que já não bate mais, descanse em paz
Sonhos que vão embora, antes da hora
Sonhos que ficam pra trás
Pra onde vai você? Pra onde vai? Pra onde vai o sol quando a noite cai?
E agora? A dor é do tamanho de um prédio
A casa sem ele vai ser um tédio
Não tem remédio, não tem explicação, não tem volta
Os amigos não aceitam, o irmão se revolta
A família não acredita no que aconteceu
Ninguém consegue entender porque o garoto morreu
Tiraram da gente um jovem tão inocente
E a sua avó que era crente hoje tem raiva de Deus
O seu pai ficou mais velho, mais sério e mais triste
E a mãe simplesmente não resiste
Além do filho, perdeu o seu amor pela vida
E a nora agora tem tendências suicidas
E a namoradinha com quem sonhava se casar
Todo mundo toda hora tem vontade de chorar
Quando se lembra dos planos que o garoto fazia
Ele dizia: "Eu quero ser alguém um dia"
Sonhava com o futuro desde menino
Ninguém podia imaginar o seu destino
Mais uma vítima de um mundo violento
Se Deus é justo, então quem fez o julgamento?
Pra onde vai você? Pra onde vai? Pra onde vai o sol quando a noite cai?
Por quê um jovem que vivia sorridente perde a sua vida assim tão de repente?
Logo um cara que adorava viver
Realmente é impossível entender
Nenhuma resposta vai ser capaz de trazer de novo a paz à família do rapaz
Nunca mais suas vidas serão como antes
E eles olham o seu retrato na estante
Aquele brilho no olhar e o jeitão de criança
Agora não passam de uma lembrança
E a esperança de que ele esteja bem, seja onde for, não diminui o vazio que ele deixou
É insuportável quando chega o seu aniversário
E as suas roupas no armário parecem esperar que ele volte de surpresa
Pra ocupar o seu lugar vazio à mesa
A tristeza às vezes é tão forte que é mais fácil fingir que não houve morte
Porque sempre que ele chega pra matar as saudades
Ele vem com aquela cara de felicidade
Alegrando os sonhos e querendo dizer que a sua alma nunca vai envelhecer
E que sofrer não é a solução
É melhor manter uma chama acesa no coração
E a certeza na mente de que um dia se encontrarão novamente.
Pra onde vai você? Pra onde vai? Pra onde vai o sol quando a noite cai?

 


 

Foste-t embora sem mais nem menos... ainda tinhas tanto para viver... estavas tão feliz, ias cumprir um sonho... tinhamos prometido encontrarmo-nos em breve... estavas sempre a reclamar cmg por não ter tempo para ti... nunca tive... quem diria que nos iriamos ver + cedo do k imaginavamos... pena ter sido assim...

tão dificil aceitar k nnc + t verei... ainda t oiço, a chamars-m menina da cidade, a reclamars comigo por causa d namorados e a dars-m conselhos, a reclaramars cmg por nnc t ir visitar e só aparecer quando n xtavas... e eu smp a arranjar desculpas, smp a reclamar ctg pelas tuas bebedeiras...

Bem sabx k n tnh irmãos, o sacana do teu primo nnc s resolveu a dar-m 1 maninho... os meus primos são os meus irmãos... e tu eras meu irmão, e eu amo-te, pk isso nunca vai morrer...

não sei dizer adeus, nunca soube, por isso, até 1 dia...

 

 


 

http://joaomanuelmalainho.blogspot.com/2007/04/mas-deus-leva-os-que-ama-s-deus-tem-os.html

 

http://natura.di.uminho.pt/~jj/musica/html/trovante-125azul.html