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13 décembre

«Dá Deus nozes...»

 

«Dá Deus nozes a quem não tem dentes...»
Muitos hão-de achar uma expressão infeliz da minha parte... mas é o que sinto em relação à tua morte e... à minha vida...
Penso que deus quando distribuiu as nozes, se distraiu... acontece aos melhores...
Há uns meses, as nossas nozes devem-se ter trocado...
Tu que tanta vida tinhas, recebeste a morte como presente... um presente que ninguém terá sequer sonhado que receberias tão cedo...
Eu?!... eu continuei viva, mesmo desejando tantas vezes o contrário... nunca amei a vida... desejei tantas vezes a companhia da tua nova "amiga"... tantos foram os estranhos que ouvindo-me falar temeram pelo meu suicídio...
E tu... logo tu! Tu que irradiavas vida, tu que sempre fizeste nascer um sorriso na face dos mais tristes...
Porquê tu e não eu? Porque razão te preferiu ela a ti? Explicas-me?
Não penses que digo o que digo pela revolta que a tua ausência me causa... estou a ser meramente egoísta... queria-te aqui, mesmo sabendo que se tu ainda aqui estivesses possivelmente não teria tempo para ti, sabendo que um dia quando tivesse tempo te veria novamente...
Sim, o que me custa não é a tua ausência... não sou hipócrita ao ponto de afirmar isso...
Custa-me, pois, a dor dos outros que amo... também te amava, e ainda amo, mas a ti já nada pode acontecer...
Custa-me a certeza de não poder voltar a ver-te... chegando a ver no rosto de estranhos o teu rosto...
Custa-me a certeza de não poder voltar a ouvir a tua voz... mesmo ela ecoando no meu pensamento...
Custa-me saber que tive 18 anos e meio de vida para estar contigo e conhecer-te, e usei-o, na maioria, para outras coisas bem menos importantes...
Custa-me os momentos que nunca existiram e que nunca existirão...
Não gosto de perder nada...
Custa-me...
7 décembre

:x

 
 
«... mais vale ficar tudo como está!»
 
 
«Sim! É melhor assim! Sabes que sim!»
 
 
«Pois...»
 
 
 
Sei?! Será que sei?!...
Finjo que sim... Pode ser que, assim, um dia acredite na minha própria mentira...
3 décembre

...

 
«(...)
Anna
 
Já alguma vez pensaram em como viemos todos aqui parar? À Terra, quero dizer. Esqueçam a cantiga do Adão e da Eva, que eu sei que é um monte de tretas. O meu pai gosta do mito dos índios Pawnee, que dizem que as divindades das estrelas povoaram o mundo: a Estrela da Tarde e a Estrela da Manhã ligaram-se e deram origem à primeira mulher. O primeiro rapaz veio do Sol e da Lua. Os seres humanos cavalgavam o dorso de um tornado.
O Sr. Hume, o meu professor de Ciências, ensinou-nos que havia esta sopa primordial cheia de gases naturais, e de lama, e de compostos carbónicos que de alguma forma solidificou formando organismos unicelulares chamados coanoflagelados... que mais parece uma doença sexualmente transmissível do que um estádio da cadeia evolutiva, na minha opinião. Mas mesmo que cheguemos a esse ponto, de uma ameba, para um macaco, para uma pessoa racional é um grande salto.
O que é realmente espantoso acerca de tudo isto é que, independentemente daquilo em que se acredite, foi preciso muito para se partir de um ponto em que não havia nada até se chegar a um ponto em que todos os neurónios certos se acendem e disparam para que possamos tomar decisões acertadas.
E ainda mais espantoso, embora se tenha tornado uma segunda natureza, é o facto de conseguirmos mesmo assim estragar tudo.
(...)»
 
Jodi Picoult - "Para a Minha Irmã"
2 décembre

e aquilo que se sente, que não é de mais ninguém...

 

Mil aromas enleados
Num calor que se abandona
Mil sabores emaranhados
Numa noite sempre longa
 
Noutras ilhas, noutro vento
Que é tão denso como lume
Navegando um sentimento
Uma faca de dois gumes
 
Aprendo o que é regresso
E despedida
Que a distância se guarda
Até ao fim
Nesta saudade estranha
Assim sentida
Longe é sempre
Um lugar dentro de mim
Longe é sempre
Um lugar dentro de mim
 
Rumo incerto, mil palavras
O Oriente no olhar
Que desenha outro horizonte
Da paixão de desvendar
 
A neblina dos sentidos
A nudez do amor de alguém
E aquilo que se sente
Que não é de mais ninguém
 
  Aprendo o que é regresso
E despedida
Que a distância se guarda
Até ao fim
Nesta saudade estranha
Assim sentida
Longe é sempre
Um lugar dentro de mim
Longe é sempre
Um lugar dentro de mim
 
Canção de Macau - Mafalda Veiga