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25 avril Foi bonita a festa, pá![]() Foi bonita a festa, pá
fiquei contente 'inda guardo renitente, um velho cravo para mim Já murcharam tua festa, pá mas, certamente esqueceram uma semente nalgum canto de jardim Sei que há léguas a nos separar tanto mar, tanto mar Sei também como é preciso, pá navegar, navegar Canta a Primavera, pá cá estou carente manda novamente algum cheirinho de alecrim. Chico Buarque
Ainda guardamos 1 velho cravo,
mas deixámos que nos murchassem a festa...
Liberdade...
quero acreditar que ainda há uma semente,
num canto do jardim...
afinal, a festa foi bonita,
mas, já murchou...
22 avril Odeio...Odeio sentir-me assim...
carente...
frágil...
vulnerável...
Odeio sentir falta
Odeio precisar de alguém
Odeio não saber como pedir essa atenção
Odeio não saber do que preciso ao certo...
sentir-me pequenina...
Odeio sentir ódio
Odeio sentir
Odeio o ódio que sinto por sentir...
16 avril à procura do futuro no avesso do passado..A armadura começou a ganhar fendas... por onde passa a luz, mas também um vento frio (de que tanto fujo)...
Começo a ficar constipada... não queria tirar a armadura, mas também não encontro cola para a arranjar...
Fim do dia
Esperei-te no fim de um dia cansado
À mesa do café de sempre O fumo, o calor e o mesmo quadro Na parede já azul poente Alguém me sorri do balcão corrido Alguém que me faz sentir Que há lugares que são pequenos abrigos Para onde podemos sempre fugir Da tarde tão fria há gente que chega E toma um café apressado E há os que entram com o olhar perdido À procura do futuro no avesso do passado O tempo endurece qualquer armadura E às vezes custa arrancar Muralhas erguidas à volta do peito Que não deixam partir nem deixam chegar O escuro lá fora incendeia as estrelas As janelas, os olhares, as ruas Cá dentro o calor conforta os sentidos Num pequeno reflexo da lua Enquanto espero percorro os sinais Do que fomos que ainda resiste As marcas deixadas na alma e na pele Do que foi feliz e do que foi triste Sabe bem voltar-te a ver Sabe bem quando estás ao meu lado Quando o tempo me esvazia Sabe bem o teu braço fechado E tudo o que me dás quando és Guarida junto à tempestade
Os rumos para caminhar No lado quente da saudade Mafalda Veiga 10 avril Lembra-te de mimLembra-te de mim
Mafalda Veiga e João Pedro Pais
Entrei numa casa fria
De portadas entreabertas Espretei a ver se te via As ruas estavam desertas Os amores já terminados São ausência, fazem mal Não me esqueço do recado Nem de um gesto ocasional Ao notares que estou mais velho Passa por mim devagar E se te olhares a um espelho
Também tu irás notar Lembra-te de mim... Os rostos p´ra quem os viu Já não são como dantes Percorro as margens de um rio Há já séculos, há instantes Vivo de vagas memórias Onde te espero encontrar São derrotas, são vitórias Quero agora descansar 9 avril ...«XXXII. Pensemos agora na grande esperança que há de que a morte seja um bem. Na realidade, com a morte tem de acontecer uma de duas coisas: ou o que morre se converte em nada e portanto, fica privado para sempre de qualquer sentimento, ou, segundo se diz, a alma sofre uma mudança e passa deste para outro lugar.
Se todo o sentimento cessa e o que há é como um sono, em que nada se vê, nem em sonho, então a morte será um benefício maravilhoso. Pois se alguém, considerando à parte uma noite assim, em que tivesse dormindo um sono sem sonhos, e comparando-a com as outras noites e dias da sua vida, tivesse de decidir quantos dias e noites tinha vivido mais agradáveis do que aquela, estou convencido de que essa pessoa, quer se tratasse de um simples particular, quer fosse mesmo o grande rei, acharia muito poucos dias e noites nestas condições. Se a morte é, pois, uma coisa deste género, digo que é um lucro real, porque então o tempo todo não parece ser mais do que uma só noite.
Pelo contrário, se a morte é como uma partida daqui para outro lugar, e é verdade o que se diz, que todos os que morrem se reúnem lá, que bem maior se poderá desejar, ó juízes? Pois se alguém, chegando ao reino de Hades, liberto do poder destes homens que se dizem juízes, ali encontrar os juízes verdadeiros, aqueles que, segundo se diz, ali administram a justiça, (...) e todos aqueles semideuses que foram justos durante a vida, achais que terá sido sem interesse a viagem?»
Platão, "Apologia de Sócrates - Condenado à morte, Sócrates julga seus juízes" |
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