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30 mai

...

 

Mulheres de Atenas - Chico Buarque

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos
Orgulho e raça de Atenas

Quando amadas se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem imploram
Mais duras penas, cadenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos
Poder e força de Atenas

Quando eles embarcam soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam, sedentos
Querem arrancar, violentos
Carícias plenas, obscenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos
Bravos guerreiros de Atenas

Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar um carinho
De outras falenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas, Helenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Geram pros seus maridos
Os novos filhos de Atenas

Elas não têm gosto ou vontade
Nem defeito, nem qualidade
Têm medo apenas
Não tem sonhos, só tem presságios
O seu homem, mares, naufrágios
Lindas sirenas, morenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos
Heróis e amantes de Atenas

As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas, não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
As suas novenas
Serenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Secam por seus maridos
Orgulho e raça de Atenas

12 mai

A Bela Infanta

 

Estava a bela infanta
No seu jardim assentada,
Com o pente de oiro fino
Seus cabelos penteava
Deitou os olhos ao mar
Viu vir uma nobre armada;
Capitão que nela vinha,
Muito bem que a governava.
- "Dize-me, ó capitão
Dessa tua nobre armada,
Se encontraste meu marido
Na terra que Deus pisava."
-"Anda tanto cavaleiro
Naquela terra sagrada...
Dize-me tu, ó senhora
As senhas que ele levava."
-"Levava cavalo branco,
Selim de prata doirada;
Na ponta da sua lança
A cruz de Cristo levava."
-"Pelos sinais que me deste
Lá o vi numa estacada
Morrer morte de valente:
Eu sua morte vingava."
-"Ai triste de mim viúva,
Ai triste de mim coitada!
De três filhinhas que tenho,
Sem nenhuma ser casada!..."
-"Que darias tu, senhora,
A quem no trouxera aqui?"
-"Dera-lhe oiro e prata fina
Quanta riqueza há por í."
-"Não quero oiro nem prata,
Não nos quero para mi':
Que darias mais, senhora,
A quem no trouxera aqui?"
-"De três moinhos que tenho,
Todos os três tos dera a ti;
Um mói o cravo e a canela,
Outro mói do gerzeli:
Rica farinha que fazem!
Tomara-os el-rei para si."
-"Os teus moinhos não quero,
Não os quero para mi:
Que darias mais, senhora,
A quem to trouxera aqui?"
-"As telhas do meu telhado,

Que são de oiro e marfim."

-"As telhas do teu telhado
Não nas quero para mi":
Que darias mais, senhora,
A quem no trouxera aqui?"
-"De três filhas que eu tenho
Todas três te dera a ti:
Uma para te calçar,
Outra para te vestir
A mais formosa de todas
Para contigo dormir."
-"As tuas filhas, infanta,
Não são damas para mi':
Dá-me outra coisa, senhora,
Se queres que o traga aqui."
-"Não tenho mais que te dar.
Nem tu mais que me pedir."
-"Tudo não, senhora minha.
Que inda não te deste a ti."
-"Cavaleiro que tal pede,
Que tão vilão é de si,
Por meus vilãos arrastado
O farei andar por aí
Ao rabo do meu cavalo
À volta do meu jardim.
Vassalos, os meus vassalos,
Acudi-me agora aqui!"
-"Este anel de sete pedras
Que eu contigo reparti...
Que é dela a outra metade?
Pois a minha, vê-la aí!"
-"Tantos anos que chorei,
Tantos sustos que tremi!...
Deus te perdoe, marido,
Que me ias matando aqui."

Almeida Garrett

23 avril

olho por olho

 
21 avril

Cores...

 
 
Desde pequena ouvi dizer que existem pessoas brancas, pretas, vermelhas e amarelas. E logo aí percebi que deveria ter algum tipo de daltonismo estranho ainda não descoberto, já que a única diferença da pele das pessoas de que me apercebia era o tom... Em todas as outras coisas tenho uma visão semelhante à maioria, mas as cores de pele que um ser humano pode ter sempre foram uma incógnita para mim... Talvez por isso que nunca tenha gostado muito de rótulos... Não percebia muito bem porque gozavam com o meu amiguinho e o chamavam de preto... gozar é injusto e feio... preto era uma cor que tanto os meus pais como as minhas professoras me tinham ensinado a distinguir, e eu sempre acertava, mas a cor do meu companheiro de brincadeiras eu não conseguia distinguir, não via o preto que me tinham ensinado que era a cor que eu via no escuro... o escuro assustava-me tanto... o meu amigo não... anos mais tarde, comecei a interpretar estes rótulos de cor de pessoas... mas talvez por não os compreender muito bem, achei mais piada ao oculto... há quem acredite que temos dentro de nós uma alma, que o nosso estado de alma é o que sentimos, e que tudo o que sentimos tem uma cor... achei engraçado, já que assim seríamos sempre de muitas cores! mas para falar verdade, não liguei muito a isso, não conseguia ver, nem essas nem as outras cores... desisti então de tentar perceber! Tive em tempos uma colega que se dizia preta e que chamava de brancos alguns colegas meus. Eles pareciam não se importar, e ela também não gozava com eles. Uma vez também me resolveu chamar por uma cor. Ela sabia que eu não gostava nada da história de pessoas pretas, brancas, amarelas e vermelhas. Então disse-me, que eu, embora de pele clara, não era branca como os outros. Era cor de rosa, por ficar sempre corada. Achei graça, e essa cor, eu conseguia ver quando me olhava ao espelho depois de um momento de embaraço.
 
 
16 avril

Inútil dormir que a dor não passa...

Bom Conselho - Chico Buarque

Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança

Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar

Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade

com açúcar. com afeto

 

Com Açúcar, Com Afeto

 

 

Com açúcar, com afeto, fiz seu doce predileto
Pra você parar em casa, qual o quê!
Com seu terno mais bonito, você sai, não acredito
Quando diz que não se atrasa
Você diz que é um operário, sai em busca do salário
Pra poder me sustentar, qual o quê!
No caminho da oficina, há um bar em cada esquina
Pra você comemorar, sei lá o quê!
Sei que alguém vai sentar junto, você vai puxar assunto
Discutindo futebol
E ficar olhando as saias de quem vive pelas praias
Coloridas pelo sol
Vem a noite e mais um copo, sei que alegre ma non troppo
Você vai querer cantar
Na caixinha um novo amigo vai bater um samba antigo
Pra você rememorar
Quando a noite enfim lhe cansa, você vem feito criança
Pra chorar o meu perdão, qual o quê!
Diz pra eu não ficar sentida, diz que vai mudar de vida
Pra agradar meu coração
E ao lhe ver assim cansado, maltrapilho e maltratado
Ainda quiz me aborrecer? Qual o quê!
Logo vou esquentar seu prato, dou um beijo em seu retrato
E abro os meus braços pra você.

 

                                            Chico Buarque

25 mars

estou cansada...

 
Perdidos e achados

 

Passei a vida a correr sem ver ao certo quem corria à minha volta ou quem simplesmente corria ao meu lado.
Agora que paro e fecho os olhos, deixando de lado os pés cansados que me guiavam nas voltas, admito que correr de olhos fechados nem sempre nos faz chegar a alguma meta.
 
Agora que paro a meio, sem saber como cá cheguei e, sem saber o caminho certo para correr, continuo sem saber quem corre comigo, quem corre para mim e quem corre por mim.
 
Continuo sem olhar, sem ver. Porque afinal juntamente com os pés também se me cansaram os olhos, também se me cansou tudo o que a cabeça segura e tudo que o peito guarda. Cansou-se-me a alma, a calma e o raio que parta a vida.
 
Não quero ser mais um que corre só por correr. Que corre para não estar parado. Estou cansado. Vou ficar sentado a ver-te correr à minha volta. Para mim. Por mim... Até que te canses e te sentes ao meu lado. Até que percebas que só correm os perdidos e que só se sentam aqueles que precisam ser achados.
 
 
 
 
 

mandei um recado...

(...)
 
O tempo me dado
Pra andar nessa terra
É um tempo de guerra
Um tempo cruel
Até os amores
São tão mal cuidados
Que acabam virando
Uma coisa banal
(...)
Eu ando meio com medo
Que um dia ainda ache
A tristeza normal
(...)
 
Recado - Joanna
25 février

Quero ir buscar quem fui onde ficou...

 

A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.

Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.

Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,

Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim.


 Fernando Pessoa                                                                                                                 

 

29 décembre

Assim

13-5-08 
«Por que é que és "assim"?»
já ouvi esta pergunta tantas vezes...
porque sou... não sei ser de outro modo...
as pessoas ganham hábitos, estou habituada a ser "assim"...
signifique "assim" o que quer que seja...
 
24 décembre

LY

 

 

 Acordar e abrir os olhos, na esperança de te encontrar, ali, deitado ao meu lado...

Não estás!

Fecho os olhos num segundo, para não perder este momento...

 

 

 Sinto o calor da cama...

 não é um calor desagradável, pelo contrário...

assemelha-se ao teu calor, ao nosso calor...

Quero ficar ali, perdida algures entre os meus sonhos e a realidade, com a sensação de um calor que me embala...

 

 

 Levanto-me por fim!

 O mundo não espera...

 

 

 

8 décembre

estável como um rio...

 
"Just around the riverbend" in Portuguese Version


Ele quer que eu seja estável como um rio
Mas um rio não é nada estável


O que eu mais amo nos rios é
Que eles são sempre tão diferentes
As águas a mudar e nós a vermos

Mas porque não queremos ser assim
Nós somos tão prudentes
Segurança impede de nos conhecermos


Depois do rio o que é que vem?
E depois do rio o que é que vem?
Vou indagar
Depois do rio o que é que vem?
Poder olhar
Gaivotas sem fim
Quero sonhar

Ver o que haverá além
Depois do rio o que é que vem?
Para mim, só para mim

O sonho está no arvoredo ou escondido na cascata
Vou ignorar o som que tanto chama
Um firme casamento e marido protector
Mas que não sonha e que não se inflama

Depois do rio o que é que vem?
Depois do rio o que é que vem?
Vou indagar
Depois do rio o que é que vem?
Poder olhar
Para além do mar, quero sonhar
Ver o que haverá além

Depois do rio o que é que vem?
Depois do rio o que é que vem?

Sigo o caminho mais calmo
Certo como um tambor

Vou casar com o Kokoum
E a quimera vai e vem
Eu quero ver, quero mais que um sonho
Depois do rio o que é que vem?...



2 décembre

(L)

 
era para ti sim... mas era para te dar aqui...
 
 
  
 
 
Brilhante como a estrela
Estrela que brilha no céu
Céu do meu coração
Coração meu que aí estás
Estás pairando sobre o meu pensamento
Pensamento tão mágico
Mágico como o amor
Amor da minha vida
Vida que és tu
Tu que és tão brilhante
...
(T.S.2 de cartilha)
 
 
 
 
30 novembre

o maior erro...

 
Se me perguntassem: qual o maior erro que se pode cometer?...
Sem duvidas, responderia: o maior erro é não amar!...
Sem amor não se vive, sobrevive-se...
Se não acreditarmos no amor e tivermos medo de amar, esse amor morre.
E dele fica apenas um vestígio, um lembrança, uma mágoa...
Sim, é realmente o maior erro...
Magoamos a quem nos ama, por não nos entregarmos...
Magoamo-nos por não conseguirmos darmo-nos...
Acabando por perder o amor desse alguém...
Não amar, é um desperdício de vida...
30 octobre

=D

 
 
Adorei a tarde, como adoro todas as tardes, todos os momentos contigo... Obrigada por estes dois meses... Obrigada por estes quase dois anos... Obrigada por seres quem és... Obrigada por deixares-me conhecer-te... Obrigada por fazeres parte da minha vida... Obrigada por me deixares fazer parte da tua... Gosto de ti, quase nem preciso de o dizer... O quanto gosto de ti? Bom, já descobrimos que é impossível quantificar de acordo com qualquer medida existente... Desde aqui até à lua? É tão pouco comparado com o que me fazes sentir... mas... "gosto de ti, simplesmente porque gosto. E é tão bom viver assim!" =D
22 octobre

Abre as asas e vai...

 

O Meu Impossível

Minh'alma ardente é uma fogueira acesa,
É um brasido enorme a crepitar!
Ânsia de procurar sem encontrar
A chama onde queimar uma incerteza!

Tudo é vago e incompleto! E o que mais pesa
É nada ser perfeito. É deslumbrar
A noite tormentosa até cegar,
E tudo ser em vão! Deus, que tristeza!...

Aos meus irmãos na dor já disse tudo
E não me compreenderam!... Vão e mudo
Foi tudo o que entendi e o que pressinto...

Mas se eu pudesse a mágoa que em mim chora
Contar, não a chorava como agora,
Irmãos, não a sentia como a sinto!...

Florbela Espanca


 

Ouve-se uma porta bater e fechar...

Ela: Deixaram a gaiola aberta! Estás livre! Foge, voa...

Ele: Sim, estamos livres! Anda, vou mostrar-te o mundo lá fora... Vais gostar!

Ela: Não... Não posso fugir contigo... Este é o meu lugar... É aqui que sou feliz! Desculpa... Vais ter de voar sem mim...

Ele: Não! Eu quero-te a meu lado!

Ela: Estarei sempre contigo, estejas onde estiveres! Precisas de ir, rápido, antes que voltem...

Ele: Mas eu amo-te... Não me amas? Confia em mim! Vem comigo, depressa!

Ela: Sim, amo-te, meu amor... eu confio em ti... mas não posso... lá fora é o teu lugar, não o meu...

Ele: És tão parva! Sim, é o meu lugar! Não de gente estupida, como tu! Como pudeste deitar fora todo o meu amor?? És um monstro! Odeio-te! Adeus e até nunca mais!!

Ele levanta voo sob o imenso azul do céu deixando para trás aquela casa, a sua prisão...

Ela: Adeus meu amor... Ficarás para sempre no meu coração... Talvez um dia nos encontraremos novamente... Vou gravar para sempre na memória a graciosidade mágica com que voas, vives, sentes...

Ela esboça um sorriso triste e do seu rosto rolam pequenas, mas sentidas, lágrimas. A porta abre-se. Fecham a janela em sobressalto. Uma mão estende-se-lhe, e ela aceita-a de bom grado.

Lá longe, ele ouve um canto melodioso que conhece bem... Olha à distância, aquele que um dia foi o seu lar... Sorri... E voa em busca de novas aventuras...
 

...

 
Para qualquer cozedura há que:
1. escolher a panela com o tamanho ideal para o que pretendemos cozinhar...
2. verter água até um pouco mais de meio da panela...
3. pôr a panela ao lume...
4. colocar uma pitada ou duas de sal...
5. colocar o/s alimento/s apenas quando a água esteja bem a ferver...
6. moderar o tamanho da chama consoante o comportamento da água...
6.1. lume baixo pede uma tampa para conservar o calor...
6.2. lume alto pede bastante atenção...
6.2.1. há que saber desviar ou retirar a tampa na altura certa...
6.2.2. há que saber baixar o lume quando a panela já está sem tampa e ainda permanece o risco que a água transborde...
20 octobre

Asa Livre

Viciada nesta musica... embora não seja a melhor companhia...
 
 
 
 
4 octobre

=)

 
«Que surpresa boa encontrar alguém assim, que parece reconhecer-se de uma vida anterior e que, num qualquer dia, por obra de Alguém, se reencontra e com quem se retoma algo que foi interrompido e que não passa pelo iniciar de qualquer relação, de conhecer alguém novo, de ter que descodificar constantemente o que se quer dizer... Maria era alguém a quem poderia falar de "Elefantes e Jibóias" sem que ela respondesse com "chapéus e homens sérios".» Patrícia Cruz - "Sempre como n'Areia"